i gave my life to a simple chord

terça-feira, setembro 02, 2003

Eu jurei que nunca mais faria isso, mas é melhor quebrar juramentos internos do que ficar com um caroço na garganta. Eu jurei que nunca mais chegaria nem perto de ficar me justificando, mas foda-se.

A internet não é como uma televisão aberta, onde você zapeia e passa por canais indesejados e vê coisas que não queria. Para entrar aqui, no meu blog, é preciso digitar o endereço no browser, ou entrar em algum link, ou seguir seu próprio bookmark. Ou seja, tem que querer entrar aqui. É uma escolha. E é por isso que eu não entendo esses leitores Mark Chapman que vêm aqui só pra torrar minha pequena e delicada paciência e encher minha caixa postal com suas opiniões não solicitadas. Eu tenho uma dúvida: vocês não têm louça na pia, não? Meia suja, essas coisas? Vão ajudar a mãe no tanque, vão pregar uns botões da camisa do vovô, assistir tv, fazer palavras cruzadas, ocupar essas cabecinhas inúteis, bando de pentelhos desocupados.

Cada um entende as coisas como quer. Por exemplo, um sujeito escreveu me chamando de preconceituosa por causa do peão que beijou a minha barriga e do Cuzão. Bom, eu não fiquei puta por causa do peão. Fiquei puta pelo beijo na barriga. Eu não pedi um beijo na barriga. Eu não conheço aquela pessoa, não me insinuei para ela e nem permiti que ela chegasse perto de mim. Quem vier com o papo de "mereceu" deve seguir o pensamento tacanho de que as mulheres de saias curtas e decotes rasgados estão pedindo para serem estupradas. Pensamento digno de um membro da TFP, diga-se de passagem. Eu não queria um beijo na barriga. Eu tenho namorado - e ele estava junto. Eu não queria um beijo na barriga nem de um peão desmontador de equipamento de som, nem do príncipe da Inglaterra, nem do Benício Del Toro, nem de nenhuma outra pessoa no sistema solar. Isso foi um puta desrespeito com a minha pessoa alcoolizada. O cara merecia apanhar de mim. Muito.

Quanto ao advogado, bem, ele era um Cuzão. Muito Cuzão. Isso não significa que todos os advogados do planeta terra são cuzões. É tão óbvio, mas tão pateticamente óbvio que para mim estava totalmente claro, mas não, sempre tem umas pessoas para torrarem o saco e entender tudo errado. Costumo ignorar, mas essa semana eu estou tolerante.

Pensando bem, estou mais de saco cheio do que o usual. De tudo. Preciso de férias no mato, na praia, em qualquer lugar. Mas ficar aqui, na Santa Cecília, ouvindo britadeiras de madrugada por uma semana ininterruptamente, isso não dá mais. Preciso de férias.

Mas antes, não custa nada reciclar um post caquético que encontrei lá no ano passado.


[ Seg Ago 26, 05:06:54 PM | Lady Averbuck ]

AUT EGO AUT NIHIL

É um diário. É o meu diário. Aberto para todo mundo ler. Até os que me odeiam e os que queriam ser eu, mas não me importo. Não me importo com nada dessas coisas. Meu diário de adolescente, ainda bem. Eu sou a adolescente mais velha do planeta. Dos 15 aos 75 anos em segundos. Morram de inveja, adultos chatos. Vão ler Wittgenstein, vão ver os valores da bolsa enquanto eu me divirto com o Groucho Marx. Mandem lembranças ao seu chefe. Eu não tenho um.

(...)
Se eu notar mensagens sujas, que normalmente vêm de homens amargos, invejosos, feios e burros, que são infelizes no trabalho e quiseram a vida inteira ser como eu, removerei esses postzinhos improdutivos e gostaria de dizer para essas bichinhas perturbadas que sinto pena de vocês. Tudo que sempre quis foi ser eu. Espero que um dia você se sinta assim e se liberte do ímpeto estúpido de poluir esta message board e distrair seus maravilhosos membros. Então vá em frente e diga o que quiser de mim, mas tenha em mente que, pelos seus insultos, todos saberemos que seu pau é realmente pequeno e o quão miserável sua vida sempre foi e que faz muito tempo que nenhuma garota abaixo de 500 quilos respondeu alguma cantada barata sua em um boteco qualquer.
(...)


Faço minhas as palavras do maravilhoso, estupendo, multi-talentoso e homem da minha vida no. 479 Vincent Gallo. Acrescentaria que não, ninguém vai chamar mais atenção esbravejando contra mim e se aproveitando da evidência que consegui por méritos próprios falando mal da minha inofensiva pessoa de maneira patética e tentando me incomodar. Quer dizer, podem até tentar, mas isso só vai mostrar que você não tem nada para fazer na vida e vai tentar usar golpezinhos baixos e sem argumentos que não farão cócegas em minha auto-estima. Serve também para os pobres coitados que reclamam das minhas referências estrangeiras, como se a arte tivesse uma língua. Como se a arte pudesse ser diminuída a uma pátria. Deus, como isso é pequeno. É tão pequeno, tão mesquinho. Não merecia nem um texto deste tamanho. Chega.

"Mas você só fala de si mesma!"
"Bom, queria que eu falasse do quê? De você?"


quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta adolescência

vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito

então ver tudo em são consciência
quando acabar esta adolescência
(paulo leminski)

.: Clara Averbuck :. 3:09 PM

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