i gave my life to a simple chord

quarta-feira, maio 28, 2003

Das coisas esquecidas atrás da estante

E eu não vou ficar de luto, que o Scooby ia detestar essas coisas.

Filme não tem pré-estréia?
Pois nesta quinta, na Funhouse, tem o pré-lançamento do meu livro novo, Das coisas esquecidas atrás da estante. Ainda não é o lançamento porque lançamentos necessitam de organização e convites e pessoas vendendo o livro e vinho ruim e essas coisas complexas, e não tem nada disso por enquanto, já que eu vou ter que fazer isso sozinha e sou uma enrolada. É só uma festa onde os meus amigos Espíritos Zombeteiros farão um showzaço e meu livro estará em promoção, com 20% de desconto, ou seja, 15 reais. O livro, aliás, é uma coletânea do blog, do Dexedrina (meu site velho e desatualizado) e algumas outras poucas coisas inéditas.

A orelha, do Xico Sá, diz o seguinte:

A melhor forma de se conhecer uma escritora é pela festa que ela pode escancarar. Ou até fingir a porrada que deveras sente. Na boca. O banquete da barata de Clarice Lispector é foda e meia. Vi até uma peça, e não sou de ir pra esse tipo de coisa, com uma atriz também foda chamada Mariana Lima. Comia a barata com gosto. Só acredito em mulheres que mastigam esses invertebrados
(juntas) comigo.

Melhor tira-gosto da tal literatura brasileira.

Fui, priscas eras, a uma bela festa na casa de Clarah. A vodka era boa. Havia barata e cortinas invisíveis de tira-gosto. Eu representava o tiozinho decente e tarado em busca das melhores mulheres da cidade. Meu papel. Essa é a cobiça, menos para os que não acreditam que possam cruzar com a sua Cass - mestiça de índia, de corpo flexível, estranho, sinuoso que nem cobra e fogoso como os olhos: um fogaréu vivo ambulante, como sonhava Charles Bukowski. Esse conto é lindo.

Clarah, a rapariga em flor do Máquina de Pinball, primeiro livro da nega, joga os dados com o velho Charles. Até o fim. E diz, todo santo dia, bom dia blog, sem que isso signifique que enxergue alguma réstia de sol. Love me or leave me. Ela se atira em carne viva. Ah, vejo Clarice, caralho, nesses rasantes todos.

Esse livro, repito, não é um bom dia diário.

É uma lambeção da ferida que escorre na calçada sem saber que diabo é sol.

Esqueça o calendário e aumente o Vicente Celestino na vitrola. Mas há um poster do menino Charles perto de casa (Fun House), é citado pela jovem desses papiros. Rua Bela Cintra. Eu no 85, ele mais acima, quinhentos e tanto. Entre nós, putas a tanger com as mãos. Aí mora o perigo. Sempre uma morena no portão a me sorrir latindo, como na lírica do rei Roberto.

Das coisas esquecidas atrás da estante.

E Bandini, sabe Fante?, volta ao pó, não sem a grande lição desse livro: "Senhor livrai-me da felicidade".

Lindo como em Santo Agostinho, que diz mais ou menos assim: "Senhor, livrai-me das tentações, mas não agora!"


a capa é do pai do beanie, mas o desenho é meu


Uff.
Compareçam.
A entrada é $ 6 e mulher não paga nada até a meia-noite.
O endereço é Bela Cintra, 567.
E quem não puder ir e quiser comprar o livro, calma. Tem no site da editora e vai ter no lançamento, que deve ser em umas duas semanas.
As coisas que eu não invento. Pré-lançamento de livro. Alguém já viu isso?

.: Clara Averbuck :. 3:38 AM

Acesse os arquivos por aqui:

  • wanna find me?
  • miau?
  • me espalhe, sou uma peste
  • eu leio a bust