i gave my life to a simple chord

quarta-feira, maio 07, 2003

As coisas mais calmas, os livros fora das caixas, uma graninha entrando, uns livros saindo, bem, finalmente era chegado o momento que mais esperei nos últimos meses: buscar meus gatos na veterinária, e, claro, pagar a dívida. Porque antes eu não queria nem saber quanto devia. Faz muito, muito tempo que eles estão lá e eu não teria como fazer nada de qualquer maneira. Depois de falar com a veterinária de manhã, além de nunca mais conseguir dormir, pensei nas seguintes possibilidades:

1. Começar a apostar nos cavalos. O Abujamra faz, o Bukowski fazia, não pode ser tão ruim. Ainda mais agora que descobri um apostódromo aqui do lado de casa. Sei lá, vai que eu dou sorte.

2. Matar o dono da clínica e seqüestrar meus gatos de volta sem pagar a CONTA ABSURDA.

3. Me oferecer como escrava eterna para tosar cachorro de madame e limpar merda de poodles histéricos.

4. Dar o cu bem caro na rua.

5. Chorar no cantinho até morrer.

Isso sem falar no meu notebuck, que eu nunca vou ter dinheiro pra buscar.

Por que, deus, por que, por quê-ê-ê? Quando tudo está quase bem, logo agora, deus, POR QUÊÊÊ???

Sou contra esse negócio de leituras, a não ser que você seja o Ginsberg e seja preza e não seja gago e tímido e encolhido e desajeitado e corcunda e tímido e nervoso de mãos suadas como eu. Eu sou um desastre em público. Falo rápido demais e destruo todos os meus textos, porque leio do jeito que pensei quando escrevi. Odeio performances-teatrinho, textos lidos e interpretados. Tem que ser muito foda pra fazer essas coisas, e bem, eu não sou. Sou escritora, porra, não tenho nada que ficar me macaqueando num palquinho na frente das pessoas. A não ser que eu pudesse estar bêbada, mas não posso mais. E agora, com essa DÍVIDA ABSURDA, até isso estou topando. Qualquer coisa. Go-go-grávida. Posso ler os textos sem roupa, rebolando minha celulite em volta de um poste. Roubar carros, talvez. Mas eu não sei dirigir. Não posso roubar carros. Alguém quer roubar carros comigo? Eu fico do lado, dando apoio moral e cuidando pra ver se ninguém olha. E traficante? Tenho uns contatos, meus amigos são todos drogados, eu teria muitos clientes. Traficante era uma boa. Não, não era. Não seria. Eu simplesmente nunca mais vou ter dinheiro para pagar a clínica veterinária, só isso. Se eu vendesse todos os meus bens, não chegaria a metade. Se eu parcelasse, daria para comprar um carro. À vista, nem comento. Oh, céus, Oh, Grande Gato que as Pirâmides Habita, me ajude.

Calma. Calma. Calma, calma.

Só os amantes de gatos me entenderiam. Me entendem. Só eles, no mundo inteiro. As pessoas normais achariam insano, diriam que eu deveria tê-los largado na rua, imagina. Prefiro morrer, prefiro passar fome e morar na sarjeta do que fazer isso com meus gatos. Só os amantes de gatos me entenderão. E eles me entendem.

.: Clara Averbuck :. 5:31 PM

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