i gave my life to a simple chord

segunda-feira, novembro 11, 2002

You can send me to hell but I'll never let go of your hand
Para Marcelo, all the way

Travesseiros ao meu lado, 15 centavos no bolso, um ônibus lerdo, os olhos secando com as lentes dentro.

Perdi meu lançamento na cidade da Besta dos Pinheirais.

Muito tempo sem dormir, as costas me matando e o coração meio torto de culpa, mas quer saber? Nada é tão ruim que não se dissipe quando olho para o meu babe. Por favor, é bêib, não bábe. Está bem, pode ser baby também. Desculpe, mas somos bobos e apaixonados e temos apelidos de casal. Desculpe se você não tem, se acha ridículo, se parecemos dois panacas perdidos um nos olhos do outro. Desculpe se a nossa felicidade incomoda. Que todos os invejosos queimem dentro de seu recalque, inventem mais daqueles boatos infundados e toscos e venenosos, porque essas coisas não nos atingem. Nothing is gonna spoil this. Nothing. Nada. A felicidade incomoda, né? Cutuca, dá raiva, malditos casais felizes se amando pelos cantinhos.

Foda-se.

Nós somos maiores. Nós sabemos, olhamos e sabemos, não precisamos falar, escrever, não precisamos de nada. Simplesmente soubemos desde o primeiro segundo.

Meu babe me disse que é meu maior leitor. Não precisa de papel e caneta, não precisa de computador, teclado, caderninho peludo cor-de-rosa. Ele me olha e sabe, lá dentro dos meus olhos, lá na minha alma, ele sabe tudo. Nada de palavras, palavras, palavras. Chega de inventar gente que não existe pra depois ver a invenção se esborrachar como um sonho suicida. Porque é sempre assim, a mocinha ama o super herói e não vê o babaca ao seu lado, o Clark Kent, o Peter Parker, gente de verdade existindo o tempo todo bem nas suas barbas. Meu babe me amou de sopetão, sem saber de nada, e me disse, e era eu, Clarah, não aquela Camila. Agora ele conhece a Camila, e quer saber? Eles se odeiam. Ele gosta de mim. Me saca mais do que todos esses caras juntos, porque é de verdade, entende? Nada de palavras, palavras, palavras. Só nossos destinos escritos no fundo dos olhos desde a primeira vez. Não uma projeção besta, não uma pessoa lá longe no pedestal. Não como aquele Arturo que era só palavras, palavras, palavras, aquele Arturo que desertou e fugiu, porque não sabia ser homem, porque acha que viver é muito perigoso. Meu babe não tem medo de nada, e se for perigoso, que se foda, que se exploda, porque estamos aqui para ser arranhados mesmo, cortar a mão nos caquinhos de vidro que ficam no dedo, todos vocês filhos da puta podem bater na nossa cara porque nós vamos até o fim, all the way, all the way, the nights flaming with fire, all the way.

Sem sangue não faz sentido.

E não tem nenhum homem que me faça olhar para o lado porque ele é o melhor de todos em tudo, no beijo, na música, no jeito que ele me olha e me toca e tudo dá choque e sobe e desce e dá febre, e ele entende tudo e me tira completamente do eixo, do sério, me enlouquece, me incendeia, segura minha mão e não larga nem quando eu mando, quando fico brava, irritada, furiosa, quando grito e faço biquinho, mesmo quando quero matá-lo, ele é o cara, ele é o cara, he is my man, quem eu quero comigo, pra quem quero dar todas as minhas manhãs e os meus dias e as minhas noites e a minha voz e os meus sorrisos e eu inteira, inteira, porque he's my man.

All the way, all the way, all the way.

Deixa a Camila lá com aquele Arturo, eles não existem mesmo. Deixa a Camila sofrendo e sofrendo, morrendo e definhando. Ela tem que passar por isso.

Eu fico com o meu baby. E não tem nada, nada, carro destruído, dedo quebrado, coração partido, fofoca, inveja, intriga, amargor, falta de grana, doença, distância ou tempo que possa nos separar, porque nós vamos até o fim.
.
.
.
Minhas orações funcionam. Minhas preces são atendidas. Ou você não sabe o que escrevi para o meu baby antes de conhecê-lo? É assim:

Oração do Amor Efêmero

Eu quero ir embora, eu quero um amor que me carregue para longe daqui, que me leve, me leve, me leve embora, que me ame com força e desespero, que machuque minha boca no primeiro beijo porque queria muito, que tatue meu nome no braço mesmo sabendo que não é para sempre, que não se importe com nada. Vamos fugir, vamos sumir, ser estranhos longe de todo mundo. Eu quero um amor que me puxe com força e não me dê opção senão me deixar levar, eu quero ir, eu quero ir, eu quero ir embora daqui. Eu quero um amor que me perca, me ache, me deixe tonta e confusa, que não se incomode com os olhares dos outros e grite que me ama, eu quero, eu quero um amor que me leve, que perca, me ache, me ganhe de cara. Que me guie, me guarde, me governe, me ilumine, me incendeie, me cause insônia e raiva e ciúme e lágrimas e febre e riso. Eu quero um amor que me canse, me canse, não canse nunca e me canse e se canse. Eu quero um amor de verdade, puro, limpo, imaculado, sagrado, que vá até o fundo, até onde ninguém foi. Eu quero um amor que me olhe nos olhos, não tenha medo de se jogar no abismo, de se jogar em mim. Eu quero um amor que esteja disposto a arder no inferno por nós. Que esteja lá não importando para onde eu queira ir. Eu quero um amor de janta e café da manhã, que não prometa nada, que não dê nada além do que for tão verdadeiro que me deixe doente, louca, rouca, suada, cansada, que arranque minha paz junto com meu coração. Eu quero um amor que me leve até o fim.

.: Clara Averbuck :. 12:01 PM

Acesse os arquivos por aqui:

  • wanna find me?
  • miau?
  • me espalhe, sou uma peste
  • eu leio a bust