i gave my life to a simple chord

sexta-feira, outubro 04, 2002

Os vinhos do Maluf
post de domingo - quase expirado

Quando as pessoas têm muito dinheiro, muito mesmo, aquelas que já viajaram até pro interior da China e para as pradarias do Quênia, elas ficam com tédio. Já viu pobre com tédio? Sim, eu. Só eu, no mundo inteiro. Então quando o cara fica com tédio, começa a inventar moda pra gastar todo aquele dinheiro. Pois eu estou nessa padaria e tinha um velho perfumado de terno e rayban fumê falando bem alto atrás de mim. Sobre o Maluf. As coleções do Maluf. "O Maluf é um grande colecionador." Comecei a prestar atenção, achei que ele completaria com algo tipo "de dentes" ou "de lingerie de renda vermelha" ou "de rins de virgens" ou ainda "de cabeças de crianças judias". Já imaginei um Maluf taxidermista, de aventalzinho no meio dos tubos de ensaio, você sabe, essas coisas que passam pela cabeça quando você está na padaria ouvindo desavegonhadamente a conversa alheia. Mas não, tudo errado. O Maluf coleciona vinhos. E, segundo o velho perfumado de terno e rayban fumê, ele tem lá umas garrafas de 45 mil dólares. Uma garrafa. Quarenta e cinco mil dólares. E que, periodicamente, mandava a garrafa para a Inglaterra para fazer cursos e turismo. Mentira. É pra fazer a manutenção da rolha. Existem especialistas em manutenção de rolha de vinhos de 45 mil dólares na Inglaterra. E eu aqui, na padaria, refazendo as contas e achando que os 5 reais que estão presos na minha conta porque só dá pra tirar nota de 10 não serão suficiente para pagar minha torta de palmito e meu guaraná light. Sabe, o mundo é um lugar engraçado. Não consigo entender muito dinheiro, de verdade. Não consigo entender coisas muito caras, diamantes e garrafas de vinho de 45 mil dólares inclusos. O que possivelmente valeria tanto dinheiro? Será que perdi todo meu critério, meu senso comum e meu paladar por causa dos meus vinhos baratos de 5 reais? Porque eu já nem ligo mais. Se me levassem no melhor restaurante de São Paulo, pagassem o prato mais caro e um vinho que passeia na Inglaterra, seria meio que como ir ao Mc Donald's. Só que no Mc Donald's você ganha uma capivara simpaticíssima, que batizei de Marmota, por causa do dia da marmota. Então sei lá, talvez eu só venha a entender o mundo, o dinheiro, os restaurantes caros, os diamantes, os vinhos turistas, os especialistas em rolha, os velhos perfumados de terno e rayban fumê e as pessoas que votam no Maluf quando aprender a degustar algum prato mirrado e metido a besta, feito de coisas nojentas como fígado de ganso ou qualquer coisa assim. Mas agora preciso ir, vou aproveitar para ouvir música porque a qualquer momento de segunda-feira a eletropaulo passa aqui e corta a minha luz. Adios.
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Sou a favor da pena de morte em caso de carro de som. Odeio carro de som. Desde os que vendem abacaxi até aos que vendem votos. Vou começar uma revolta silenciosa contra eles, vocês vão ver. Terrorismo. Eu não agüento mais.
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E pelo menos na casa dos meus pais eu terei internet e atualizarei o blog 80 vezes por dia. E baixarei músicas e tomarei café da manhã com a minha mãe e ouvirei meu pai tocando violino quando ele voltar. E vai ser legal, ah, vai. Retiro Espiritual no Morro do Osso - REMO. Sairei pouco, até porque ninguém sai daquele lugar sem carro. Meus pais moram nas montanhas. E eu não sei dirigir.
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Dia 19 estarei em alguma mesa da Primavera dos Livros de SP, que eu não faço a mínima idéia de onde será.
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Tinha esquecido que amava o Nei Lisboa. Lembrei.
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Tudo mudou. Já explico.

.: Clara Averbuck :. 1:47 AM

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