i gave my life to a simple chord

quarta-feira, outubro 23, 2002

Giro a roleta. Giro a roleta. Giro, giro, click, atiro.
Nenhuma bala. Nenhum som.

Eu não me conformo, quero ouvir os tiros, quero sangue, miolos escorrendo na parede, o som surdo do corpo mudo no chão imundo.
Giro de novo, aperto o gatilho.

Nenhuma bala. Nenhum sangue.

Tão inútil quanto gritar o nome de um morto.
Sugar o peito seco de uma mãe raquítica.
Regar uma terra sem sementes.
Nada vai nascer. Nada vai brotar.
Nada em nenhum lugar.

Giro, atiro. Não desisto fácil.

Piso nas florzinhas que acabaram de me dar. Morram, não ousem ser belas perto de mim, sofram, murchem.

Todo mundo maluco. Deve ser o calor.

Giro, atiro.
O tambor está vazio.
Me engano, finjo que existe uma bala, uma balinha só, capaz de acabar com tudo.
Atiro.
Atiro.
Atiro.
Click.
Click.
Click.

As palavras que você me deu estavam mortas, meu bem.
Mas eu sobrevivi.
Que inferno.

Alguém pára o trem dentro da minha cabeça antes que as caldeiras explodam.

.: Clara Averbuck :. 7:33 PM

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