i gave my life to a simple chord

segunda-feira, setembro 23, 2002

[sábado]

Mas vamos pensar em coisas práticas. O show do Chili Peppers, por exemplo. Vou para Porto Alegre nem que precise fazer favores sexuais a um caminhoneiro que carrega bananas pelo país. É sério. Tô nem aí que ficam falando que eles estão velhos, que não fazem mais rocões. Claro que não fazem, se fizessem eles iam virar o Aerosmith, que faz a mesma música há 20 anos. E eu vou ver o show com a Cherrie e a Mari, com quem passei a adolescência ouvindo Chili Peppers e vendo vídeos e sacolejando pela sala de casa e infernizando as respectivas famílias cantando I wish I was a little bit taller, I wish I was a Paula incessantemente (piada interna). Foi por causa deles qe descobri Stooges, por causa da Search and Destroy deles. Foi por causa deles que descobri tudo. Inclusive eu mesma. Já devo ter contado essa história umas 407 vezes, deixa eu ver se encontro aqui no notebuck®.
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Tá, não achei. Foi assim: eu estava no Rio com meus pais, babai tinha uma temporada lá de uns meses e fui junto. Estávamos em um apartamento na Siqueira Campos, aliás, que coisa mais legal aquele lugar. Dava pra ver o mar, eu ficava com a cabeça torcida na janela vendo as ondas surgirem branquinhas do mar de noite, do nada, do escuro, era foda. Aiai, o Rio. Bom, ainda não tinha MTV em Porto Alegre naquela época, 91, Rock In Rio e tudo. Então eu estava assistindo MTV calmamente quando começa a passar o clipe de Higher Ground. Pirei, só isso. Primeira coisa que fiz quando voltei foi comprar o vinil do Mother's Milk e dali em diante, tudo mudou. Descobri Parliament, Funkadelic, Stooges. Descobri tudo. Descobri que o Frusciante era o melhor guitarrista do mundo. Que o Flea era o Flea. Quando eles lançaram o Blood Sugar, então, nem falo nada. O show de SP me fez chorar. Tem aqui, ó: ********. E o show do Rock in Rio, bem, ammm, na hora eu até fiquei emocionada apesar da apatia do Anthony Kiedis e da baba do Frusciante, mas quando revi, achei uma merda bem grande. Foi a coisa mais sem sentimento que já vi na vida. Até aqueles músicos de churrascaria tocam com mais vontade do que eles no Rock In Rio. Mas valeu pela companhia, Mari, Cherry, Mateus, tooodo mundo. Aliás, fiquei sabendo que uma pessoa mandou um email para a namorada do Mateus falando que ela deveria se cuidar comigo porque eu era muito obstinada quando queria alguma coisa, e ele achava que eu queria o Mateus. Ei, amigô, você é meio monga, né? O Mateus é uma das minhas metades, assim como as minhas soulsisters, assim como meus amigos que eu amo muito. Você é mongo e passou altos ridículos, mesmo sendo anônimo. Olhaí, tá morrendo de vergonha agora. Tss.

Ok, são quase duas da manhã e a Ilana ainda não chegou. Será que serei abandonada em casa, maquiada e arrumada DE NOVO? Se isso acontecer, mudo amanhã para o matinho e fico lá para sempre. Ah, não. Se isso acontecer, vou a pé até algum lugar aí. Qualquer lugar. Até baile. Ah, não, ah não. Este acaba de ser nomeado o fim-de-semana do abandono. Fui abandonada, negligenciada. Ninguém bi ãba. Nem o porteiro gosta de mim. Chuife. Estou me deprimindo. Vou ouvir Miles Davis e me afogar no tanque.

Vamos aos devaneios, então. Esse disco novo dos Chili Peppers me lembra a estrada de volta de um lugar aí. Nem tinha saído ainda naquela época, mas sinto como se estivesse ouvindo e vendo a estrada, vendo as vaquinhas passando. Dá saudade de viajar de ônibus. Me divirto horrores, quase nunca durmo, adoro observar as coisas na estrada, as placas com erros grotescos, as casinhas, as pessoas, o céu.

ESTOU FICANDO TENSA. NÃO QUERO FICAR EM CASA HOJE, NÃO POSSO MAIS. Ironicamente, joguei fora o flyer da festa nova do Márcio Custódio ontem, então eu não sei onde fica. OBRIGADA SENHOR, A ILANA ACABA DE LIGAR. Mas ela não vai sair. Nhom. Saco. Pelo menos agora eu sei onde fica o lugar. Vou lá, vou lá. Wish me luck.

.: Clara Averbuck :. 7:29 PM

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