i gave my life to a simple chord

sábado, setembro 28, 2002

Briga, soco, tapa, raiva. Amor? Raiva. Amor. Alô deus, se você está aí, acaba com a palhaçada. Não quero querer algo que não quero.
Protect me from all I want.
Protect me from all I don't want.
Quero tirar isso de mim, arrancar esse câncer que só piora e aumenta e quando chega a morfina eu nem sinto, mas depois passa e lá vem a merda de novo. Nã-ão. Deu, chega. Vou fugir pro pôr-do-sol, fugir pra casa da mamãe, fugir correndo pra bem longe dessa bagunça.
Protect me from all I want.
Protect me from all I don't want.
Dessa vez sou eu quem vai embora correndo como uma panaca, fugindo. Olha só, todo dia a gente aprende algo novo. Estou aprendendo a fugir da minha vida. O problema é que ela vai junto, e junto vão aqueles malditos olhos do inferno da minha cabeça, um monte de frases mentirosas de amor perdido, todos em fila me cutucando e puxando a barra da minha saia.
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Querem ver mais um pedacinho da tradução do Fante? Então tá. Lembrem-se que não mexo na pontuação dos outros senão eles vêm puxar meu pé de noite.
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Você não acha que eu tenho uma novela? Ouça, droga, conheci Camilla e na primeira noite que estivemos na praia e nadamos nus, e ela nadou para longe, para além da rebentação na Baía de Santa Mônica, nós dirigimos até lá no carro dela, e nadamos, lá debaixo do luar, garota linda, Camilla linda, oh como eu amava aquela garota, e inferno, com que mão imunda ela me tratou, ela pensava que eu era um lunático, que dizia coisas engraçadas, ela nadou para longe, longe demais para uma garota normal, e naquele oceano gelado às duas da manhã, e quando a vi sob o luar, naquela primeira noite, tive um palpite de que ela era o tipo de garota que sucumbia sob pressão social, havia algo sensível e belo sobre hoje e sempre, garota maravilhosa, cabelos negros, pele creme, nadando ao luar, me desafiando a nadar até onde estava, e eu não fui, nadei um pouco e cansei e então ela veio e nos enrolamos em um cobertor na praia e fomos dormir - um casal de garotos nus, mas senti, deitando ao seu lado naquela hora - aquele sentimento de que jamais possuiria aquela garota, senti que de alguma forma ela era veneno e que jamais aconteceria, senti paixão sem desejo, senti sua estranheza, senti em mim com a certeza do peito de minha mãe, essa coisa devorando uma linda garota mexicana que pertencia àquela terra, sob aquele céu, e não era bem vinda. E eu, o compreensivo, o amante de homens e bichos, pergunte àquela areia ao longo da Baía de Santa Mônica se o grande Arturo Bandini foi tão grande amante naquela noite, não não não, porque sentia pena dela como um homem com pena de sua garotinha e não era paixão que sentia mas apenas desejo, e foi só o que houve.
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Você conhece o sentimento de olhar lá no fundo dos olhos de alguém e sentir o peito apertando com a certeza de que nunca terá essa pessoa? Aqueles olhos estão ali, está tudo ali na sua frente, na sua cara, na sua cama, mas não te pertence. Nada te pertence, é como poeira, como pó, é só assoprar para que se espalhe em mil particulazinhas dançantes e lá está você sozinho de novo. É tão cômodo ficar esperando que eu volte, e eu sempre volto, a idiota sempre volta ao local do crime. Mas agora chega, agora eu não volto porque vou estar lá longe no pôr-do-sol. Comendo comidinha da mamãe, fumando Luckies na varanda, assistindo aos barquinhos nadando no rio que não é rio, terminando o Vida de Gato na santa paz da minha terra. Porque se eu não sei me controlar, se você não sabe se controlar, se vai me dar tapas na cara e me odiar e me amar, prefiro ir embora e esperar passar. Hunger hurts but starving works when it costs too much too love.

.: Clara Averbuck :. 8:15 PM

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