i gave my life to a simple chord

quarta-feira, agosto 14, 2002

WRY OH WRY

Todo mundo vai embora o tempo todo. Desde que cheguei, todos pousam, passam e vão. E eu fico. É como se eu estivesse acenando um lencinho de dama para os carros que partem estrada afora e levantam uma nuvem de poeira sem saber. Eu fico. Nada em volta, nenhum lugar para estar. Vou só empurrando, tateando, sempre em frente. E às vezes, acabo esbarrando em algumas pessoas maravilhosas, que dão mais sentido para minha vida de cego, sempre tateando até achar uma porta, uma janela, um interruptor ou o Wry. Puta que pariu, o Wry, um bando de meninos absurdamente doces e talentosos que surgiram na minha vida nos últimos dias e me fizeram ir para Sorocaba com uns reais e umas moedas, que me levaram para cima e para baixo, me deram casa, álcool, droguinha, comida de mãe e róque, todo o róque que faltava, além, claro, de enfrentarem destemidamente o Terrível, Abominável, Gosmento e Feio, Muito Feio Sapo Bolha Canibal de óculos do Elton John, plataformas de plástico verde, cílios postiços e esmalte da Xuxa (o sapo, não o Wry, que fique claro), que habitava as catacumbas da Casa dos Padres, um lugar todo cheio de folclore lá perto de Sorocaba. Aquele corredor da Casa dos Padres, sabe, ele é bem parecido com a minha vida. Um monte de coisas que não fazem sentido, uma puta escuridão mesmo com o sol mais forte do mundo brilhando lá fora e o cheiro da dúvida por todos os lados, todo mundo se perguntando que diabos era aquele lugar, afinal de contas. Mas o Wry, viu. Eles vão se dar bem, eles vão, porque são lindos e amigos e aprenderam a tocar juntos e são foda, ninguém imagina como eles são foda. Bandas de amigos soam diferente. Eles vão se dar bem em Londres, Sorocaba, Guatemala, Abu Dhabi ou qualquer lugar que queiram, porque eles são de verdade, acreditam no que fazem, amam o que fazem, correm riscos, se fodem se for necessário. E quem se fode por amor, merece. Meninos, eu amo vocês. Stay gold, fiquem bem, vou morrer de saudades, obrigada por tudo, por existirem, por ficarem comigo esses diazinhos, por serem tão foda, por tudo, tudo, tudo. Me esperem em Londres, eu estou chegando, fodida, maltrapilha, sem dinheiro, mas estou chegando. Obrigada, queridos. Vocês fizeram a luzinha brilhar mais forte.

.: Clara Averbuck :. 10:36 PM

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