i gave my life to a simple chord

sexta-feira, agosto 30, 2002

Christmas card from a hooker in Minneapolis

Merda, merda. Quero lembrar. Quero saber tudo, mas não sei. Quero pisar na cara da sensação de ridículo. Sumir esse gosto da boca. Me encher de tabefes pra ver se eu paro com essa merda toda. Uma creminho, sabe, pra tirar a maquiagem borrada. Como uma coisinha tão pequena pode me derrubar com tanta força? Bolinhas no chão, no meio do caminho, blam. Ploft. Olha lá a mina estirada no chão, toda fodida, sentada na porta do metrô. Chutem o rabo dela por mim.

Ah, foda-se. Nobody is that good anyway.
Focof.
Não fala antes de saber, não comenta antes de ler. Don't be such a fucking smartass comigo, querido. Não comigo.

Olha a mina caminhando de manhã na rua, bem pequenininha, todo mundo olhando. Olha a cara dela, aquela cara de idiota. Olha a mina se perdendo no metrô, oh, a grande & assustadora mina com um metro e meio de altura e diminuindo, diminuindo, cabendo no bolso de alguém. Indo pra casa sozinha no meio de todos aqueles prédios tagarelas e daquelas pessoas de gravata. Dando telefonemas absolutamente patéticos para sua garota, tentando achar um lugar macio pra deitar. Olha, olha, olha ela sem dinheiro de novo, toda fodida. What a fucking curse. Meu avô disse que o amor é um cão do inferno, Arturo disse que o amor é feio, que é uma cicatriz na palma da nossa mão. Arturo, como eu queria que você estivesse errado. Que o amor fosse bonito e construísse casinhas e famílias e tudo. Damn, damn, damn. Olha a cicatriz na palma da minha mão sangrando de novo. Olha a mina, que babaca, ainda acreditando em alguma coisa. Ela não aprende, não quer aprender, recusa-se. Ela também não tem sofre de pena e autocomiseração inúteis, não se perde nessas coisas. Mas se perde o tempo todo porque escolhe se perder. Olha o sol cegando a noite, dor nos pés, a mina falando sozinha e andando sozinha e indo para lugar nenhum. Mas ela vai, ela caminha porque não consegue ficar parada. As bolinhas voltaram junto com o enjôo de manhã. As coisas voltam o tempo todo, será que estou andando em círculos? Nesse caso, melhor seria ficar parada. Quietinha. Sem respirar. Mas eu não consigo. Corre, corre, vai, rápido. Corre pra chegar logo em lugar algum.

hey charlie for chrissakes
do you want to know the truth of it?
i don't have a husband
he don't play the trombone
and i need to borrow money to pay this lawyer
and charlie, hey
i'll be eligible for parole
come valentines day

.: Clara Averbuck :. 1:08 PM

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  • wanna find me?
  • miau?
  • me espalhe, sou uma peste
  • eu leio a bust