i gave my life to a simple chord

terça-feira, agosto 06, 2002

As margaridas suicidas

Achei uma coisa e abri o champanhe e abracei todas as palavras como pude, todas ao mesmo tempo, com toda a força que eu tinha na época e que surgiu agora, do nada, para desaparecer de novo assim que abri os olhos.

Cedo demais, cedo demais.

Meu deus, como era lindo, como as coisas são lindas quando são puras.

Quero voltar no tempo agora. Agora. Agora!

Ah, não dá?

Então eu vou dormir. Há uma semana que sonho o que deveria estar acontecendo. Não quero acordar, estou cansada, a realidade se mistura com o pesadelo e com os sonhos bestas e eu apenas assisto, sem desviar o olhar. Virei mais uma espectadora da minha própria vida.

Hoje as minhas margaridas cometeram o suicídio. Atiraram-se da janela do 13o. andar, todas juntas, as margaridas suicidas. Talvez elas estivessem tentando matar alguém, margaridas kamikases. Jamais saberei. Cheguei em casa, a janela aberta, o pratinho sozinho, sem as margaridas suicidas que espalhavam-se pelo chão, mortas. Hoje eu vou rezar por mim, por você e pelas margaridas que se atiraram todas juntas sem nem me deixar um bilhete. Hoje eu vou dormir com gosto de champagne e a doçura que o passado andava me escondendo em arquivos velhos e meio perdidos. É tão bom lembrar da doçura do que tornou-se amargo. É tão bom. São 5 da manhã, os ônibus já acordam as ruas, todos indo trabalhar, mais um dia, mais uma dose, mais um dia sem você, mais um dia sobrevivendo, acho que estou melhorando, o que você acha? Eu acho que estou melhorando. Boa noite, você não me ouve, boa noite.

.: Clara Averbuck :. 5:22 PM

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  • wanna find me?
  • miau?
  • me espalhe, sou uma peste
  • eu leio a bust