i gave my life to a simple chord

segunda-feira, julho 08, 2002

O Samurai sorriu

Bem, faz uma semana que estou aqui na Anne. Deveria ter ido pra casa nova há um tempinho já, mas meu amigo devogado disse que não preciso sair de casa, que a Dona Antônia fez uma coisa feia chamada coação ilegal. Tão feia que dá processo. Por outro lado, se eu deixar meus pacotes mais dois dias por lá, meu pai vem a pé até São Paulo, me obriga a engolir todos os meus móveis (o que não será tão trabalhoso assim), minhas roupas, minhas panelas e tudo mais e me arrasta pelos cabelos até Porto Alegre. Aí, estou com preguiça. Muita preguiça. Eu vou me mudar. Mas estou com preguiça. E tosse, muita tosse. Nunca ninguém tossiu tanto. Nem comeu. Eu e a Anne estamos comendo como duas porcas albinas grávidas e andando de pijama pela casa. Meu pijama é uma cueca xadrez e uma camiseta do Internet Explorer do irmão dela. Suuuper sexy. E um moleton do Hard Rock Cafe de Estoucalmo. Nunca tive um moleton do Hard Rock Cafe. Não tive adolescência. Mas está frio e eu preciso usar. Está frio, estou doente e o A. me deixa esperando e nem avisa que não vem. Detesto ficar plantada esperando pessoas que não vêm e não avisam. Só eu posso fazer isso. E se tivesse carro, não faria. Mas nunca terei um carro. Não, obrigada. Mal consigo gerenciar minhas próprias pernas quando estou sóbria. Não rola.

O Alisson, aquela judia, que o diga. Ele viu minhas pernas descoordenadas em ação ontem, quando eu e a Anne chegávamos na Trash 80's. Tropecei segundos depois de ter minha foto tirada. Foi ri-dí-cu-lo. Alinhás, quero essas fotos. Mesmo que eu estivesse usando um vestido da Anne que é umas quatro vezes o meu tamanho, o que me obrigou a ouvir comentários graciosos do M. no final da noite sobre meu peso. Bundudão, você sabe o que fazer com seus comentários. Gostoooso. Não estou gorda. E mesmo se estivesse, estou na fase I couldn't care less, especialmente porque caibo na minha calça azul e porque passou a TPM e agora eu vou murchar. Rapaz, foi a TPM mais longa da minha vida. Já estava até usando vestidos de grávida, escolhendo nome e decidindo não avisar o pai, que não merecia saber sobre a suposta existência do pequeno Vicente, que seria lindo e genial e maluco, se fosse genético. Mas ele não existia, então está tudo certo. Mentira, não está tudo certo. Estou decepcionada.

O A. estava impossível ontem. O A. é sensacional: sóbrio, é o rapaz mais respeitável do mundo. Quando enche a cara, solta a franga, abre os braços e não tem quem segure. Eu não seguro mesmo, fujo rapidinho. Cruis. Já aprendi minha lição com ele. Fast as you can baby run free yourself of me. O sujeito bebe, bebe, bebe, reclama da minha conduta exemplar, faz pior, me apresenta como "Frei Tito" para todos os caixas do McDonald's enquanto come as batatas dos desconhecidos achando que são as dele e pensa que vamos todos fumar só porque a Anne tirou da bolsa um cinzeiro descaradamente roubado do Cambridge. É que aqui na casa dela não tinha onde bater o cigarro e nós cansamos de usar copos - desculpa que não se aplica aos dois cardápios, ninguém tem cardápio em casa. Foi pura cleptomania de bar. Sofro desse mal. Ah, esqueci de mencionar que ele enfiou o capacete do M., que é motoqueiro, e recusou-se a tirar ("Pô, eu sempre quis ter uma moto") até a hora de ir embora. Tudo dentro do McDonald's, é claro. Eu adoro os meus amigos.

Existe uma coisa estranha acontecendo no mundo. Os japoneses. É sério. Os japoneses estão por todos os lados. Antes que façam piadinhas sobre eu estar em São Paulo e só não ver japoneses porque não saio de casa, devo salientar que a situação está anormal. Eles andam em grupos grandes, sérios e silenciosos e estão por todos os lados. Estou falando sério. Vi até um samurai na festa. Vi. A Anne é testemunha. E ele era poderoso. E não sorria. Nunca. No momento em que ele sorriu, aconteceu algo que esperei a noite inteira. Foi bizarro. O samurai sorriu e as coisas aconteceram. Acho que não preciso me preocupar com os japoneses onipresentes, eles estão do meu lado. Dos meus dois lados, na minha frente e nas minhas costas. O moço que me emprestou sua casa é japonês. A moça que me depositou reais é japonesa. Até o tio que me ofereceu 400 reais no Love Story é japonês e estava lá. Sempre perto. Acho que era ele, não sei ao certo, minha memória é uma merda. Pensei que fosse oferecer 800 por mim e pela minha garota, mas ele não se manifestou. Ainda bem, porque na situação financeira atual, onde sou obrigada a gastar todo meu dinheiro em lentes de contato, era capaz de aceitar. Não, não era. Não era.

A cadeira continua vazia.
Sempre vazia.
Nada apaga, parece uma foto que vai ficando mais nítida aos poucos. Mais forte. As memórias ficam mais fortes, os detalhes que tinham sumido voltam na minha cabeça e ficam rodopiando lá dentro.

Não posso, não quero, não posso.

Posso, quero, vou.

Maldita geminiana.

Malditos vocês arianos também. Saco. O Fante também tinha mesmo que ser ariano? Qual meu problema com esses malditos arianos? Meu pai. Deve ser meu pai, que inventou de nascer em 29 de março. Todos os homens são o Groo, mas o arianos são mais Groos do que os outros. Orgulhem-se. Tenho um presente para vocês.

terei errado?

Groo mostrando toda sua agilidade mental.


Vou dormir. Estou doente. Muito doente. Preciso de GATAS pra cuidar de mim. Putz, tenho que botar logo em prática minha Agência de mães. Eu e o Marcão estamos à procura de sócios com dinheiro. Nós damos as idéias geniais, vocês entram com o risco e a grana. Puta negócio, em se tratando de mim e do Marcão. Boa noite.

.: Clara Averbuck :. 6:15 AM

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