i gave my life to a simple chord

quinta-feira, julho 18, 2002

I hate you, talking to myself, everybody staring at me - I'm only bleeding

Eu tenho tanta sorte que compensa meu azar.

Bonita a vista, né?

É. Bem o que eu queria.

Você sempre consegue o que quer.

Só quando não depende de mim.

E quando depende?

Quando depende, estrago tudo.

Ou alguém trata de estragar.

Ou isso.
...

O que foi?

Aquilo.

De novo?

Ainda.

Chega, né?

Preciso terminar o livro.

O livro já terminou. Agora só tem lixo pra ser varrido.

Não quero jogar tudo fora.

Ele já jogou. Bateu o cinzeiro na janela depois de te esmagar para ter certeza que você apagou.

E ainda pisou na minha bituca na saída.

E ainda disse para todos que você tentou queimar seus dedos.

Que merda.

Que merda.

Argh. Porque tem que ser assim?

Acabou, Clarah.

Não pode. O livro.

O livro terminou.

O livro nunca termina.

A pimenteira sobreviveu. Sem água, sem nada, trancada naquela casa suja. Você também sobrevive. E ainda brota.

You took the part that once was my heart... So why not take all of me?

Dá pra parar com isso?

Não.

Dá pra pelo menos tentar?

Não depende de mim.

Depende de quem?

Do tempo.

O tempo está passando. Não parou um segundo.

Nem eu.

Mas você não passa.

Nem ele.

Ele passou.

Preciso terminar o livro.

O livro já terminou.

Preciso aprender a mentir para nós como ele.

É, nisso ele é um gênio. Mas mentiras passam.

O tempo também.

Mas você não.

Nem ele.

Mentiras passam.

Mas eu não.

Estou confusa.

Confusão é bom.

Só quando não depende de mim.

Você se confunde.

Eu não. Você me confunde.

Estou confusa.

Termina o livro.

O livro já terminou.

Então continua como se não tivesse terminado.

Não dá, com essa cadeira vazia.

Senta nela.

Não caibo.

Cabe sim.

Não, eu tenho um bundão.

E ele é um bundão, nada mais justo. Senta ali.

Não dá, cara.

Ah, mas dá.

Não dá.

Tenta.

Tá bom.
...
Ih, coube.

Eu disse.

Você sempre diz.

Você nunca escuta.

Acho que vou começar a escutar.

Deixa com que as cortinas fechem em silêncio, só hoje.

Vou deixar.

Você me escutou! E nem protestou. Estou chocada.

Eu disse.

Você sempre diz, mas nunca faz.

Resolvi variar. Agora cala a boca, pelo amor de deus.

.: Clara Averbuck :. 10:25 PM

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