i gave my life to a simple chord

segunda-feira, julho 08, 2002

The days run away like wild horses over the hills

Segunda-feira.
Voltei à minha dieta: nenhum sono, muitas pílulas, pouca comida.

Uma cadeira vazia no meio do meu coração.

Um monte de pensamentos bobos, um monte de fotos na minha cabeça.

Nuvens nos olhos. Preciso tirar essas lentes baratas.

Dias de olhos arregalados e anfetaminas amigas.
Dias de hiperatividade mental, de contar coisas, muitas coisas e ler emails e responder e espremer todos os significados de cada vírgula alheia e das minhas próprias.
Dias de me afogar em mim.
Dias sujos, como água parada num pântano de noites mortas.
Dias estuprados pela luz que invade a janela do apartamento.
Dias vazios, que simplesmente são.
Dias sem ti, seu merda.
Dias sem ti.
Sem ti.

Assim não dá.

Quero esquecer tudo.
Tudo o que passou, quero transferir para o papel e parar de sentir, parar de sentir a tua presença, as tuas palavras me sufocando o tempo todo, enrolando-se no meu pescoço e apertando meu coração idiota. Quero te espremer, te expurgar, te expulsar de mim, te arrancar do meu peito como se fosse uma pústula, porque você só me alimenta com veneno.

Alô, Jesus. Dá pra mandar parar ou tá ruim?
Oh, imaginei.
Só dá ocupado.
Tu, tu, tu, tu.

Sammy, o fantasminha.
Assombrando cada quarto, cada casa, cada copo, cada corpo.
Esfriando cada abraço quando invade a minha cabeça.
Ele simplesmente entra, o bastardo tem a chave.
Sammy, oh, Sammy.
Quantas coisa eu queria te mostrar e você nunca vai ver. Quantos livros, quantos sonhos, quantas tardes em claro, quantas taças cheias de chuva e de vinho e de riso poderíamos ter bebido, Sammy, seu cuzão.
Nunca mais vai chover riso nem luzinhas nem nada.
Nunca mais vai chover nada, está tudo seco, esturricado, rachado, terra vermelha e seca subindo em pó e manchando minhas roupas brancas, grudando no meu cabelo, na minha pele, nos meus cílios, entrando no meu nariz.

Su-fo-can-do.

Você me deixou na praia e foi embora, você me deixou dormindo no meio do campo.

Eu nunca deveria ter acordado.

Poderia conversar contigo para sempre em sonho. Gostaria de dormir para sempre e sonhar com o que não aconteceu.
Tanta coisa, tanto, demais.
Tarde demais.
Uma vida inteira passa pelos meus olhos.
Nunca mais vou ter paz até adoecer de novo.
E eu não caio mais; virei uma pedra e me misturei com a terra.

Sammy, oh, Sammy, seu merda.
Acho que você me matou.
Mas eu sobrevivo.

Nasço de novo em alguma árvore. Broto, pequenininha, cresço bem rápido, tenho um dia inteiro para ser a mais linda e depois caio, ploft, de volta à terra. Depois eu nasço de novo. E de novo. E de novo, até cansar. Daí eu caso e engordo.

Haha.

Sammy, oh, Sammy, seu...
Seu...
Seu... filho da puta maravilhoso.
Olha a bagunça que você fez.

Muito obrigada, meu querido. Muito obrigada.

.: Clara Averbuck :. 12:33 PM

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