i gave my life to a simple chord

domingo, julho 14, 2002

Argh.

Mas tudo bem, passa.

Passa como o dia de ontem, completamente inútil e nada saudável. O meu amigo M. me levou numa churrascaria. Sabe, eu era vegetariana - ou quase, porque dava umas escapadinhas de frango às vezes - até abril do ano passado, quando me desvirtuei completamente comendo um sanduíche de picanha que me deixou inchada e com sentimento de ter engolido um boi vivo e virado o homem de marshmellow. Horrível. Depois, vieram os corações. Comi todos os corações do estado de São Paulo, eu e os Fábios. E agora decidi parar de novo. Chega. Não quero mais comer bicho morto, me faz mal, fico toda pesadona e molenga.

Logo no Dia do Róque. Se bem que está tudo certo: ressaca é altos róque. É sinal de que estava roqueando na noite passada. Mas isso não é desculpa para perder o show do TBO.

Passei o dia inerte, assistindo filmes.



Gossip, do Davis Guggenheim, com vários atores bons e gatos, como Norman Reedus e James Marsden, por quem me apaixonei perdidamente, apesar de ser bonito, Kate Hudson e Joshua Jackson. Os outros eu nunca tinha visto, mas gostei. É o seguinte: três estudantes de jornalismo criam e espalham um boato - baseado em fatos - de que uma garota enjoadinha fez sexo com o namoradinho no quarto de uma festa. Só que a coisa sai completamente de controle. É muito legal, a direção de arte é foda e não é nada óbvio. Adorei. Especialmente porque fofoca é uma coisa recorrente a respeito da minha vida. Ouço cada história a meu respeito que simplesmente não dá pra acreditar. Um dia me perguntaram se era verdade que eu levitei na intervalo quando estava na sétima série. E esse é dos leves. Fora os caras que me comeram, fora as pessoas que me viram fazendo isso ou aquilo. Mas foda-se, isso nunca vai atrapalhar a minha vida. É chato, bem chato, mas não chego a me importar. A única vez que me incomodou foi quando inventaram que eu estava de namorico com um certo rapaz famoso. Fiquei puta, puta de verdade. Inclusive contei pro cara, que achou a história toda engraçadíssima. (É impressionante como sempre consigo desviar os assuntos para a minha pessoa.)

Os outros são Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, que
é legal, mas não achei tão foda quanto disseram. Achei sub-Tarantino e gostei muito mais de Snatch. Não esperava muito mesmo, mas é legal, tem ritmo e boas tiradas e a história é bem-escrita. Divertido. Depois teve Coração Satânico, que é foda, A Morte Pede Carona, que é tenso pra caralho, e Poderosa Afrodite, que estava passando na TV e eu vi de novo porque o Woody Allen é bom demais. E chorei no final. Na verdade, choraria em qualquer filme besta que passasse, ainda bem que era um... Woody Allen? Não, não. Devo ser a única pessoa na face da Terra que chorou vendo esse filme. Ainda se fosse Todos Dizem Eu Te Amo, ainda vá. Mas me deixem, me deixem. A ressaca faz isso com o ser humano.

Hoje eu dormi. Muito. Não tem nada funcionando em mim. Estou gripada, com tosse, com dor nos olhos por causa das lentes, com o fígo inchado e o ombro deslocado. Então dormi, só me restava dormir. Daí acordei, tomei banho e estou andando pela casa com o roupão do M., enrolada no cobertor dele, ouvindo música no som dele e usando o cablemodem dele, que não está em casa e não tem pantufas. Achei um absurdo alguém não ter pantufas. Quer dizer, eu mesma não tenho - minhas pantufas ficaram em Porto Alegre -, mas alguém que tem um roupão tem a obrigação moral de ter pantufas também.

Seria bom se eu reunisse forças para voltar para minha casa, mas olha, tá difícil. E frio. E estou fraca. E velha. E sozinha. E sentimentalóide.

Deve ser o inverno.

.: Clara Averbuck :. 9:55 PM

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