i gave my life to a simple chord

terça-feira, junho 04, 2002

Seu telefone não tem créditos para completar esta chamada

Olhei para fora e levei um susto: já estava claro. 6'30 da manhã. Nem vi o tempo passando. Desmontando a casa, desfazendo malas, refazendo com outro recheio. Evitando olhar para a parede creme descascada e sem minha vida estampada. Empacotando livros, procurando caixas. Nem sei o que vou fazer com essas coisas todas. PJ Harvey diz "you're not rid of me, you're not rid of me, I'll make you lick my injuries", but I won't. Joo não está gostando das malas espalhadas. Jimi e PJ nem deram bola. Estou ficando maluca, detesto bagunça, detesto não saber exatamente onde estão minhas coisas. Vontade de aproveitar o empacotamento e fugir para NY de navio.

Fugir pro Mississipi e cantar em coral de igreja.
Fugir para a Itália e morar no castelo dos Chirivino.
Fugir para Londres e virar roquestrela.
Fugir. Fugir. Fugir.

Não consigo fugir, que droga. Maldita mania de encarar tudo. Pode bater. Mas bate forte, senão vai me fazer rir.

Consigo dar conta da minha vida, sim, oh sim, consigo, nunca pensei que conseguiria. Sábado, pensei que não conseguiria. Mas consigo. Acabo com o mundo e faço tudo de novo. E de novo. E mais uma vez, até cansar. Todo mundo diz que vou cansar. Eu acho que não.

Continuo burra. Não tenho raiva. Só às vezes, durante alguns segundos. Mas não gosto de sentir raiva, então passa. É o tempo de abrir o notepad. E já que está aberto, para não desperdiçar papel, escrevo. Escrevo muito. E xingo, e balanço os braços perguntando porquê, mesmo sabendo.

Oh, boy. Tenho tantas coisas a cuidar, deixa o filho da puta pra depois.

E pelo amor de deus.
Pelo amor de deus!
Quem disse que vou abandonar meus gatos? Vocês estão malucos? Eu espanco pessoas que fazem esse tipo de coisa. Meus gatos vão ficar em um hotel de gatos, com uma doutora legal que dá altos descontos. Pelo amor de deus. Eu não largo meus filhos assim.

Ontem um moço me ligou e fez o Hank falar comigo. Eu ri. O Hank estava falando sobre a minha vida. O moço disse que não me via sorrindo nos meus textos. Moço, eu sempre sorrio depois que termino um texto que gosto. Imagino que seja semelhante a um parto. Deve doer muito sentir aquele cabeção abrindo seus ossos, mas no fim, ao ver o resultado da dor, a mãe sempre sorri, quando sobrevive. E eu sobrevivo.

Amanhã vou dar um jeito nesse negócio de não ter internet. Vou parasitar alguém, tentar escambo em algum cyber café, qualquer coisa. Eu sempre dou um jeito. Vou ali.

.: Clara Averbuck :. 7:32 PM

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  • wanna find me?
  • miau?
  • me espalhe, sou uma peste
  • eu leio a bust