i gave my life to a simple chord

segunda-feira, junho 10, 2002

Saturday night fever
Detalhe: não lembro de escrever metade dessas coisas. Febre. Muita febre. Por favor, não pergunte sobre a lua. Eu não sei nada.

Febre. Muita febre. Meus olhos cheios de areia, fogo na garganta. Gripe o caralho. É a porra do amor idiota começando a me consumir. Essa peste sem cura.

Meu olhos ardem como se minhas lentes estivessem vencidas. Acho que eles é que estão. Já vi demais, sabe. Estou bem perto de me tornar uma vaca. Uma vaca, só. Nunca uma vaca sem coração. Quem dera, queria ser insensível, nunca mais sentir nada. Nada, nada, não. Acontece que o filho da puta não pára. Já está louco para pular nas mãos de alguém.

Mas não existe ninguém que agüente. Ele é passado adiante como uma batata quente e sempre volta para mim sozinho, como um gato que fugiu à noite e mia na porta quando amanhece, depois que a lua se põe. Dorme o dia inteiro como se nunca mais pretendesse sair, mas de noite está na porta de novo, inquieto, esperando para esgueirar-se pela primeira fresta e correr para os braços da lua.

Às vezes não há lua.
Tudo fica vazio.

Ninguém que esteve em seus braços contenta-se com a luz dos holofotes. Quem abraça a lua, fica marcado. Ela queima. Tenho essa cicatriz, essa mancha, essa marca para sempre nos meus braços, como um lugar reservado, uma placa, um epitáfio, dizendo que sou sua. Não tenho escolha. Quem escolhe é ele. Sempre os piores, sempre escorrega do meu peito direto para os piores e não há nada que eu possa fazer além de assistir. Não vou colocá-lo em uma jaula, não vou usar uma coleira. O filho da puta é livre, está condenado a ser livre como eu. A liberdade é de quem quiser, mas nem todos ousam ser livres. Insistem em dizer que viver é perigoso, mesmo sabendo que é muito mais perigoso viver na inércia, viver morrendo.

A liberdade é para os fortes.

Eu sou livre. Quem puder, quem quiser, quem escolher e conseguir, que seja livre comigo. Eu sou livre.

9.6.02 - 4AM

.: Clara Averbuck :. 2:03 AM

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  • me espalhe, sou uma peste
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