i gave my life to a simple chord

quarta-feira, junho 19, 2002

Hello, I love you, won't you tell me your name?

Então é o seguinte: agora gosto de Doors. Espero que tenham notado pelos últimos títulos. Uma vez eu disse que não gostava, sempre com aquele meu ranço de velha coroca, reclamei que o Jim Morrisson não tinha tido as manhas de ir até o fundo da merda e voltar, que tinha morrido e yadda yadda. Esquece. A gente fala muita besteira quando não conhece direito as coisas e eu não tenho nenhuma vergonha em assumir meus erros e me retratar das besteiras que digo. Todo mundo vive falando bosta, mas pouca gente tem cara de se retratar. Como eu não tenho nem papel higiênico no meu banheiro, não vejo o menor problema em assumir: Doors é legal e o Jim é um senhor poeta. Adoro poetinhas bêbados, esse é o meu maior defeito. Doors é blues com poesia e psicodelia. Não sou muito chegada em psicodelia e achei as coisas mais viajandonas chatas, mas tem cada coisa do caralho que consegui irrelevar as chatas.

Quem me mostrou Doors e os livros do Jim foi um novo amiguinho. No começo, também reclamei dele com meu ranço de velha coroca que não gosta de gente, mas como ele mesmo diz, "a oposição é a verdadeira amizade". Acho que essa frase é do Blake. Ele tem com o Jim Morrisson e com o Blake o que eu tenho com o Fante e o Hank. Ah, o Hank é o Bukowski. Tem gente que fica me perguntando quem é o Hank de quem eu tanto falo. É o apelido do Bukowski. Somos íntimos, não vou ficar chamando o cara pelo sobrenome. Se bem que ele me chama de Lady Averbuck às vezes. Lady Averbuck, my fallen girl from hell. Mas tudo bem, ele pode. Mas eu ia falando do meu novo amiguinho. Vamos chamá-lo de Delaney, para imitar o Groucho em sua autobiografia ("A autobiografia de Groucho Marx por - quem diria! - Groucho Marx"), onde chamava quem não queria expor pelo nome do charuto que fumava. Então ontem eu e meu amigo Delaney saímos e bebemos e conversamos no meu bar. E foi foda. Somos muito, muito diferentes, mas parece que a mesma força nos guia para o mesmo lugar, cada um em seu respectivo caminho. Eu e Delaney resolvemos trabalhar juntos e fazer uma coisa que promete ser fo-da.

Mas tem uma coisa estranha no meu amigo Delaney. Ele namora esta garota que por muito tempo foi o meu anticristo. Ela sequer sabe que eu existo, mas eu sei que ela existe e o que a moça representa é tudo que eu, Clarah, sou contra. É estranho estar lá com meu amigo, ver seu telefone tocar e saber que é ela. Sequer existimos na mesma dimensão, eu e ela. Não sei como Delaney consegue transitar entre os dois mundos. Talvez venha a entender, mas agora me parece impossível. De qualquer forma, não tenho nada a ver com a vida sexual do meu amigo Delaney. Cada um com seus problemas.

[||] PAUSE

O que é esta letra de My Wild Love? Caralho. O que é a música? Ca-ra-lho. É uma oração. Jim, assim como eu, escrevia orações.

My wild love went riding,
she rode all the day;
she rode to the devil,
and asked him to pay.

The devil was wiser.
It's time to repent;
he asked her to give back,
the money she spent.

[||]

Não adianta, tudo vem em seu tempo. Quando conheci Doors lá por 94, era adolescente demais e não entendi. Até gostava de algumas coisas, mas não bateu. As coisas só batem no momento certo. Que nem amor. Você pode conhecer a pessoa há anos, mas um dia ela faz alguma coisinha, diz alguma coisinha e pá - você se apaixona.

.: Clara Averbuck :. 9:29 PM

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  • wanna find me?
  • miau?
  • me espalhe, sou uma peste
  • eu leio a bust