i gave my life to a simple chord

quinta-feira, junho 13, 2002

And the winner is
[10'22PM]

Ok, so I have a date.
É dia dos namorados e eu tenho um par. Está certo, ainda não conheço meu par, mas confio nos meus instintos e ele me prometeu a noite mais mimada da minha vida. De cara, me disse para largar tudo (tudo o quê?) e morar com ele no Itaim, junto com a coleção inteira do Jesus and Mary Chain, todos os livros do Camus, vinho, receitas azuis e audições exclusivas do Tom Waits. Absolutamente irrecusável, se o prédio dele aceitasse animais. Sem o Joo eu não vou. Mas a noite promete ser legal. Sem malícia, ok. Apenas uma noite legal. Eu sou celibatária agora, lembra?

Só que.
Só que tem ele lá.
Ele, que tive certeza ter superado com os argumentos internos de que era mais um covarde que enfiou um prego no meu coração. Mais um prego no meu coração. Funcionou até agora, quando a saudade do que achei que aconteceria apertou minha garganta como uma chave inglesa. E agora estou ouvindo minha playlist com The Platters, Ronnetes, Mo Bettah Blues, Elza Soares, Billie Holiday, Nina, George Michael (EU GOSTO DE GEORGE MICHAEL) e eu mesma cantando jazz e pensando em como seria se as coisas tivessem corrido como deveriam. Ou como eu achava que elas seriam. Eu provavelmente estaria lá com ele e estaríamos bêbados a essa altura, rindo e conversando e ouvindo alguma das minhas negras, porque eu exigiria que o dia hoje fosse das minhas negras. Jazz pode ser tão romântico e tão deprimente. Ou tão deprimente por ser tão romântico. Eu poderia ficar aqui choramingando para sempre, falando sobre como ficaríamos em casa, e sobre como eu daria todos aqueles presentes para ele (o que eu faço com todos aqueles presentes?) e ele me daria algo comprado na última hora, porque teria esquecido completamente de tudo, mas eu adoraria de qualquer jeito, mesmo que fosse um coelhinho de meias. E conversaríamos, ficaríamos 12 horas vestindo nada na cama conversando e fazendo outras coisas, e seria tudo tão fácil, tão espontâneo, tão natural e tão lindo. Dormiríamos sem perceber, ouvindo o silêncio e o ar puro e limpo e claro. Acordaríamos abraçados e sorriríamos de manhã, enroscados um no outro e nos lençóis. Seria lindo, o dia mais lindo da minha vida. Mas a realidade sempre estraga tudo.

Quer saber? Dane-se. Tenho que ir. Feliz dia dos namorados a todos os desgraçados. Sugeriria que todos nós fôssemos beber em algum bar e chorar uns nos ombros dos outros, mas I have a date. Just a date. Amanhã eu volto a ser o ébrio que na bebida busca esquecer.

.: Clara Averbuck :. 2:39 AM

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  • wanna find me?
  • miau?
  • me espalhe, sou uma peste
  • eu leio a bust