i gave my life to a simple chord

quinta-feira, maio 16, 2002

Não. Não. Não. NÃO!

De novo não.

Vou embora. Embora de mim. Embora desta cidade, pro Rio, pra casa, pra NY ou pra Londres. Vou embora. Servir mesas no primeiro mundo, andar com os olhos baixos, responder com acenos de cabeça, sempre concordando. Não falar com ninguém. Miss Gomez, traga mais um café, por favor. Morar em um quartinho mofado, ouvir as minhas negras em uma vitrola velha e dormir cedo. Ne Me Quitte Pas. Ne Me Quitte Pas. Ne Me Quitte Pas. Meu gato vai estar comigo. Meu gato sempre vai estar comigo. Ne Me Quitte Pas.

Estou tonta. Estou enjoada. Estou paralisada. Mas o filho da puta não pára. Gostaria que ele morresse. Querido, você já viu o suficiente, fez o suficiente, porque você não descansa?

Um dia. Um dia, Clarah. Um dia alguém vai olhar pra você e ver. Moleque hiperativo. Tagarela. Perguntando porquê. Um dia, Clarah, alguém vai adotar o moleque. Mais um chute na cara. Mais uma cicatriz. Pobre moleque. Doente, raquítico, fraquinho. Mesmo assim, ainda de pé.

Antes eu estava sozinha. Sempre estive sozinha. Era só eu. Que saudades de quando era só eu.

Acho que vou ouvir Vicente Celestino.

.: Clara Averbuck :. 8:19 PM

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  • wanna find me?
  • miau?
  • me espalhe, sou uma peste
  • eu leio a bust