i gave my life to a simple chord

terça-feira, abril 23, 2002


Será?

Não, Clarah.

Quieta.

Quieta você. Não adianta: se você falar sozinha, eu vou responder.

Então responde: será?

Não.

Por quê?

Aí, eu já não sei.

Então, vou ignorar a sua resposta.

Tanto faz.

Não, eu quero saber por quê.

Ele está apenas sendo gentil, Clarah.

Não, ele não está apenas sendo gentil.

Já te passou pela cabeça que você nunca mais vai poder comer pessoas que não gostem de Bukowski?

Não muda de assunto.

É sério. Imagina, você tira a roupa e tem uma frase do Hank na sua barriga. Ele odeia o Hank. Você acha que existe alguma possibilidade?

É só virar. Eu curto ficar de quatro.

Eu sei. Mas o cara vai saber que a frase está ali.

Foda-se ele. Eu não tiraria a roupa para um cara que não gosta do Hank, de qualquer maneira.

Lá isso é verdade.

Vou ali.

Isso, vamos.

Você pode ficar, se quiser.

Não, vamos. Não quero te deixar sozinha agora. Eu gosto de você, vaca.

Eu também, cadela.

Então faz favor de pegar leve.

Eu não sei fazer isso.

Eu sei.

Sabe que eu não sei ou sabe fazer?

Os dois.

Então faça você.

Farei. Detestaria não ter ninguém para conversar.

É, eu também.

Ei, Clarah.

Fala.

Ele não está apenas sendo gentil. Mas você não pode com isso agora.

Ah, posso.

Você que sabe. Depois, nem vem reclamar para mim.

Mas é claro que vou.

Você não aprende?

Só quando quero.

Achei que você queria.

Eu quero ele.

Quer saber? Eu também. Foda-se, vai fundo.

.: Clara Averbuck :. 12:13 AM

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