i gave my life to a simple chord

quinta-feira, abril 18, 2002

O homem da minha vida hoje

Sweet James. James Lawrence. Lá estava eu, ganhando cigarros do gerente do hotel, que tinha muita pena quando me via juntando baganas dos cinzeiros para fazer uma espécie de cigarro-sopão e resolveu sustentar meu vício (irlandeses são os caras mais legais do mundo), quando as portas do elevador abriram-se e ta-da. Lá estava ele, lindinho, loirinho, stylish as hell e me olhando com uma sobrancelha levantada. Olhei de volta. Demorou alguns segundos até nos darmos conta da cena: menina encostada no balcão baba em menino parado dentro do elevador que baba em menina encostada no balcão. Sorrimos. E as portas fecharam. Porra, onde ele achava que estava indo? *Vanish*. Não sei onde ele se meteu, mas sei que ele não apareceu nos dez minutos seguintes e eu fui dormir, porque tinha me perdido no Soho e voltado a pé e estava exausta.

Dia seguinte, ou melhor, noite seguinte, no bar do hotel. Estava eu com meus amigos americanos quando vejo ele e o amigo chegando. Nem pestanejei; fui direto falar com eles. James olhou nos meus olhos, apertou minha mão e não soltou mais. Nunca mais. Pela semana seguinte inteira, ficamos juntos, colados, grudados, algemados. Literalmente: em um dos poucos dias em que possuí libras, fomos em Camden Town, a maior tentação do universo, e eu comprei algemas de pelúcia rosa. Enquanto conversava com o vendedor, uma criatura cockney com sotaque quase incompreensível, mas muito simpático, me algemei ao James. E ficamos algemados pelo resto do dia, inclusive quando paramos para tomar um café.



Eu e Ele, algemados e falling num café em Camden Town.


Dormimos juntinhos, colados, abraçados. Ele tem as costas pintadinhas e macias, fala sussurrando e sorri de um jeito que me derrete por dentro. Ele e o amigo (Eric, também gente finíssima, into bondage e fanzaço da Sylvia Saint, a musa eterna) tinham o que eles chamavam de "travelling companions", que eram bichinhos-chaveiro pendurados em suas mochilas. Eric tinha um cãozinho simpático e James, Mr. Mojo Jojo. Passei o tempo todo afofando o Mr. Mojo Jojo do James e lendo a historinha que tinha na boca dele (do chaveiro, for god's sake) e contando mil vezes com entonações diferentes e incomodando pessoas em lugares com a Mr. Mojo Jojo quiz. James ria em todas as vezes, não sei como. Quando estava indo embora, me deu o Mr. Mojo Jojo para que eu não ficasse muito sozinha. Mas não adiantou. Ele hoje mora no meu quarto, junto com as Power Puff Girls e com a estátua do Groo.

James me liga sempre. Eu também ligava pra ele, quando meu telefone fazia ligações (depois, não sei porque não tenho dinheiro para pagar o telefone: minha garota mora em Londres, tenho um namoradinho no Texas...), e é sempre muito legal, e nós sempre fazemos piadas com timings perfeitos, e sempre ficamos com saudades, e sempre somos ultra meigos um com o outro. Ele disse que quer vir pro Brasil praticar sua mais nova paixão adquirida na California, que é snowboarding. Expliquei pra ele que não rola, porque não existe neve aqui, mas sugeri que fizéssemos sandboading, que deve ser bem divertido também. Ele ainda não respondeu. Espero que ele me ligue logo. Hey Clarah, it's James. Impossível não sorrir quando lembro da voz dele. Impossível não sorrir quando lembro dele inteiro. Miss you, lovely James.

.: Clara Averbuck :. 4:37 PM

Acesse os arquivos por aqui:

  • wanna find me?
  • miau?
  • me espalhe, sou uma peste
  • eu leio a bust