i gave my life to a simple chord

sexta-feira, abril 19, 2002


Eu vou morrer. Tenho certeza que vou morrer. Nunca passei tão mal em toda a minha existência, é sério. Estou suando frio, mole, bamba, salivando e com a boca seca, pálida, com fome e enjôo. Quase desmaiei no caminho para casa e fui obrigada a pegar um táxi porque não consegui caminhar até o metrô. Não beber. Não mais beber, nunca mais. Mentira. Meu pai de São Paulo me chamou pra ver O Exorcista com sua senhora e a amiga de sua senhora. Mal sabe ele que estou vivendo O Exorcista. Em alguns instantes, minha cabeça vai começar a girar e eu vou vomitar no primeiro padre que entrar pela porta. Ou pela janela. Estou possuída pelo terrível demônio da ressaca do mal. Por favor, doutor, make it stooooooooooop.

Foda-se, foda-se, porque agora eu tenho a frase pra sempre na minha barriga, e eu sequer tive que pagar por ela; estava ali sentadinha, comendo meu sanduíche e praguejando na convenção de tatuagem cheia de freaks me olhando como se eu fosse um carnão exposto, e chegou este cara e me deu uma tatuagem, e era um estúdio podre de São Caetano, e a tatuagem ficou torta, mas foda-se, porque eu tenho a frase pra sempre na minha barriga, e nunca mais, nunca mais vou esquecer do que São Hank disse, e nunca mais vou sentar na beirinha e balançar as pernas, e nunca mais vou dar all of me quando a pessoa não quiser, porque cansa, dói, arde, mas depois que arde, cura, e acho que estou curada, e acho que nunca mais vou usar pontos porque assim eu não preciso respirar e sentir engulhos e vontade de deixar meu corpo se recuperando e dar umas voltinhas nos meus huaraches velhos e ver por onde andam as pessoas que esvaziam todas as garrafas da cidade e que cara elas têm e como elas estão sem a Joo deles. Se você quiser, honey, eu te empresto o meu Joo. Mas não pode levar, tem que usar aqui em casa, senão eu não sobrevivo. Eu sei que Joos são insubstituíveis, mas se você quiser, pode usar o meu Joo e eu. Opa, pontos. Acho que estou melhor. Escrever faz passar enjôos agora também? Uh. Então eu vou ali tentar comer e tentar deitar e tentar FAZER PARAR. Porque um dia, pára.

.: Clara Averbuck :. 11:43 PM

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