i gave my life to a simple chord

segunda-feira, abril 22, 2002

Acordei.

Estou cheia de bolinhas, aquelas bolinhas de quem está intoxicado. Muitas delas, coçando, no meu pescoço nas minhas costas. Não estou me divertindo. Dormi quase doze horas, não ouvi meu celular tocar nenhuma vez, meu enjôo está piorando e eu não fui ao médico.

Eu estava dormindo, não poderia ter ido ao médico.

Todas as pessoas estão furiosas me xingando e falando que eu não posso morrer. Eu não vou morrer agora, não se preocupem. Todas as pessoas estão furiosas comigo, dizendo que preciso me cuidar porque elas me amam. Vocês me amam? Vocês realmente me amam? Essas pessoas todas, babes, você acha que elas me amam? Eu acredito que você me ama, e que a Anne me amma, e que a minha mãe me ama e meu pai e o Joo e a Mari e mais umas pessoas. Mas a morte é a única coisa com a qual precisamos nos conformar. Está ali, estamos caminhando para ela o tempo todo, o dia inteiro, enquanto você trabalha, está caminhando para a morte, enquanto eu escrevo, estou caminhando para a morte, enquanto trepo bebo escrevo durmo choro e sinto dor, estou caminhando para a morte, e ela não me assusta, ela não me assusta nem me intimida e nem vai me obrigar a fazer ou deixar de fazer o que eu tenho que fazer. Não tenho medo de morrer, não quero morrer, mas não quero deixar de viver e não tenho medo. Não posso ter. Não posso ficar em casa comendo alface para o resto da vida; isso não seria vida. Só que eu não quero morrer agora, falta muita coisa, falta lançar o meu livro, falta usar heroína, falta morar em NY e ver shows e rir muito, falta ficar com a Anne mais tempo, porque tivemos muito pouco tempo, falta pagar a minha dívida, falta trepar com ele, porque eu preciso trepar com ele -- não você, ele, ele, você não quis, então eu te depus e devolvi o cargo para o antecessor, que está tão longe que não pode me fazer mal --, porque eu preciso gravar um disco, fazer shows, preciso fazer muita coisa, então não posso morrer agora. Ainda não terminei e a minha vida não vai ser um coito interrompido. Por isso que eu vou me cuidar, babes. Porque o resto não importa. Eu também te amo, mas o resto não importa.

.: Clara Averbuck :. 7:26 PM

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